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quarta-feira, 9 de abril de 2014

OMBRO DE FERRO

"Eu vi a figura de um homem saindo VIVO de uma guerra”.

Por Karine Margarida

Precisei arrumar meu celular. Onde?
Santa Ifigênia foi o canal.

Ao chegar naquela rua conhecida da grande SP e já hipnotizada por "Tudo que você quer ao alcance do seu bolso", um dos meninos que conhece bem o local e os comerciantes, me perguntou:

- O que você procura?
Respondi:
- Um celular. Pensando que o meu havia dado o seu último suspiro.

Mal terminei de falar e a viagem começou.

O menino andava tão rápido que eu não tinha tempo nem para memorizar o caminho, se ele me deixasse lá, com certeza eu demoraria um século para voltar ao ponto de partida.

Naquela velocidade "anormal", naquela multidão de estandes, o menino do ombro de prata me levou em dois locais certeiros.

No primeiro estande, percebi que eu era apenas mais uma, além de me cobrarem caro, quiseram me empurrar outro aparelho, como cliente me senti indignada, pois para adquirirmos algo, gostamos de exclusividade, atenção, mesmo que sejamos mais um, o tratamento faz toda a diferença.

Para testa-lo, fiz questão de tirar o parelho da bolsa e como eu já esperava, era muito trabalho para ele que nem olhou direito o parelho e logo disse que não havia conserto.

Bem, senti que o menino do ombro de prata também não gostou da forma com que ele me atendeu, logo que saímos, mais rápido do que chegamos, o menino me perguntou com toda educação do mundo:

- Você quer dar mais uma olhada dona, ou quer fazer negócio?
Respondi: Quero fazer negócio.

UALLLLLL... Embarcamos em mais uma viagem, no caminho ele teve tempo de apontar para o outro lado da rua e dizer:

- Ta vendo aquelas crianças ali, são minhas. Fomos ao médico hoje cedo e minha patroa queria passear. Ah, não pensei duas vezes, trouxe eles comigo.

- Como assim? Você esta brincando! Diz a verdade, você mora ali em cima. (As crianças brincavam na escada, parte debaixo de um imóvel).

- Não, eu ganho o pão aqui na Santa Ifigênia, minhas crianças são tudo pra mim. Depois de muito sofrimento, eu entendi que trabalhar com dignidade traz muito mais retorno do que a bandidagem.

Fiquei em silêncio, pensando no que ele havia falado. Chegamos ao local.

www.itouchsp.com.br O atendimento, a qualidade dos parelhos, impecável! Dessa vez me senti única, tão exclusiva que eu precisei dividir com vocês essa experiência.

Continuamos conversando, agora com os meninos do estande também.

- Olha dona, vou te mostrar meu ombro.

Quando ele levantou a manga, o ombro dele saltou para fora. Eu quase morri, tive medo, compaixão, vontade de chorar, arrumar o ombro dele...

O menino do estande perguntou:

- Caaaara, o que e isso? O que você fez?

Para vocês terem ideia, eu virei o rosto. Aquilo me doía na alma.

- Eu era bandido, dos bons, ate que comecei a enxergar a vida com outros olhos, meus filhos me deram essa oportunidade, por amor, eu mudei. Hoje, faço um serviço aqui, outro ali. Não ganho a grana que eu ganhava, mas sou honesto, pago minhas contas e sustento minha família.

Meu coração naquele momento era daquele menino do ombro de prata que eu nunca mais vou esquecer.

- Há anos tem uma bala alojada no meu obro, preciso fazer uma cirurgia. Tudo vai dar certo, mais para frente me conserto, brincou ele. O importante é que consegui mudar minha vida e hoje vivo para os meus filhos. Bom, vou indo dona, você esta em boas mãos.

Sem saber o que dizer, pedi a DEUS para proteger o menino do ombro de prata e toda sua família. E quase sem voz, arranjei forças para me despedir:

- Obrigada! Por favor, conserte esse ombro em?

Eu e os meninos de estande estávamos perplexos. O que dizer? Tantos engravatados roubando nossa pátria, nosso povo, nossa educação, nossa cultura... Ali, vi a figura de um homem saindo VIVO de uma guerra para lutar apenas por seus filhos.







terça-feira, 8 de abril de 2014

Os Holofotes da VERDADE

Os Holofotes da VERDADE

Sentir, é viver de maneira honesta
Se olhar no espelho e reconhecer
Seu sorriso, sua lágrima, sua dor

Sentir é invadir a vida alheia sem pedir licença
É abusar da melodia sem utilizar o refrão
Cantar, dançar e criar um verso novo
Talvez uma nova canção.

Me olhe nos olhos, me encare de frente
Fogo cruzado,  eu digo não
Há vida no orvalho,
O cheiro do mato
Sem preconceitos, eu digo não.

Sentir é invadir a vida alheia sem pedir licença
É abusar da melodia sem utilizar o refrão
Cantar, dançar e criar um verso novo
Talvez uma nova canção.

Há vida lá fora, palavras afiadas
Diálogos intermináveis
Noites sem notas e dias sem ação
Há vida lá fora







segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Monstro Sentimental

Uma frase racional, um monstro sentimental
São tantas notas que não consigo entender
  
De um lado fogo cruzado, ideias vãs
Um esqueleto sobrevive às cinzas
Ao sonho imortal
Almas emotivas, simples artistas

De um mundo desconexo
No momento do contexto
Sensações que pulsam
Emoções contidas

A perfeição, uma letra racional
De um monstro sentimental
Notas que não consigo entender

Me doma, tira-me dessa rotina
De um lado fogo cruzado
Ideias únicas, melodia
Canções de uma vida

Compreensão de palavras
Um mundo invadido
Dinheiro, Poder e Sedução
Existir é a função

A perfeição, uma letra racional
De um monstro sentimental
Notas que não consigo entender

SER

SER

Em essência, em evolução
Metafísica da consciência
Luz do universo,
Em tempos, aqui estamos
Depois de tantos escandâlos
Depois de nos afogarmos
Nos vexames da corrupção,
Ainda sim renascemos 
Nos levantamos desse mar 
De lama,
E lutamos por um país melhor,
Corre em minhas veias o sangue
Quente da liberdade
E assim resisto, insisto,
Inspiro ARTE e expiro POESIAS.
Corre em minha face
A lágrima da SUPERAÇÃO.
Um novo tempo embalado
Na canção enigma
SER 
Em essência e dom.



Quem sou eu

Minha foto
Atriz, jornalista, uma trabalhadora nata, intensa e apaixonada por tudo que faz.